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Ansiedade e ataques de pânico

A ansiedade é uma resposta normal e útil. Torna-se um problema quando é desproporcionada, persistente e começa a condicionar escolhas, relações e qualidade de vida.

Do que falamos

Sob a designação de ansiedade cabem experiências muito diferentes: preocupação constante e difícil de travar, tensão física permanente, receio de situações sociais, evitamento de determinados contextos, ou episódios súbitos de mal-estar intenso — os chamados ataques de pânico.

Um ataque de pânico caracteriza-se por um pico rápido de sintomas físicos e de medo intenso, frequentemente acompanhado da sensação de perda de controlo. Embora seja profundamente desconfortável, não é, em si, perigoso. O receio de que volte a acontecer é muitas vezes aquilo que mais limita a vida da pessoa.

Como se pode manifestar

  • · Preocupação persistente, difícil de interromper.
  • · Tensão muscular, dores de cabeça, cansaço, alterações do sono.
  • · Palpitações, falta de ar, tonturas, sensação de aperto no peito.
  • · Irritabilidade, dificuldade de concentração.
  • · Evitamento de situações, lugares ou compromissos.
  • · Antecipação constante do pior cenário possível.

Quando pode fazer sentido procurar acompanhamento

Quando a ansiedade se mantém ao longo do tempo, quando interfere com o trabalho, o estudo, o sono ou as relações, quando leva a evitar cada vez mais situações, ou quando os episódios de pânico começam a organizar o dia a dia em torno do medo de que voltem a ocorrer.

Como pode ser feita a avaliação

A avaliação começa por uma entrevista clínica cuidadosa: história do problema, fatores que o precipitam e o mantêm, impacto funcional, recursos pessoais e contexto de vida. Quando adequado, podem ser utilizados instrumentos de avaliação psicológica validados, para ajudar a caracterizar a intensidade dos sintomas e monitorizar a evolução.

É também considerada a necessidade de avaliação médica complementar, sempre que os sintomas físicos o justifiquem.

Em que pode consistir a intervenção

  • · Compreensão partilhada do funcionamento da ansiedade em cada caso concreto.
  • · Trabalho sobre padrões de pensamento que alimentam a preocupação e a antecipação.
  • · Estratégias de regulação fisiológica e de gestão do stress.
  • · Redução gradual e planeada do evitamento.
  • · Intervenção específica sobre o medo do próprio ataque de pânico.
  • · Consolidação de estratégias para prevenir recaídas.

O que esperar da primeira consulta

A primeira consulta destina-se sobretudo a compreender a situação atual: o que a trouxe até aqui, há quanto tempo, e de que modo isso está a interferir no seu dia a dia. É também um espaço para recolher a história e o contexto relevantes, clarificar necessidades e expectativas, e fazer uma avaliação inicial da adequação da psicoterapia.

No final, os próximos passos são definidos em conjunto. Se a psicoterapia não for a resposta mais adequada, isso é dito com clareza e são sugeridas alternativas.